O Sonho do Rei e Sua Ruína

Por: Jota!

Em Mafimdik, um reino muito distante, o rei Laus teve um sonho tenebroso. Durante três noites seguidas, ele via a mesma inscrição gravada em uma grande pedra ancestral: "O oculto será revelado! A vingança de Nabulom será cumprida! Esta cidade maldita será destruída; o dia está chegando. Salve-se quem puder! O caminho está em Guoube, a antiga morada."

As três noites seguidas com o mesmo pesadelo deixaram o rei profundamente agoniado e sem paz. Incapaz de descansar, ele chamou seu conselheiro real de confiança: "Tutmim! Tutmim, vá chamar todos os sábios do reino! Quero saber imediatamente se eles sabem o significado disso!"

Tutmim correu e reuniu os homens mais cultos do castelo. Eles examinaram relatórios e mapas antigos, mas nenhum deles conseguiu decifrar a profecia da pedra. O rei Laus, cego de raiva e angústia, gritou furioso: "De que vocês me servem, seus inúteis?! Vou mandar matar todos vocês!"

Nenhum dos nobres ousava responder. De repente, uma humilde mulher, a copeira do palácio, ergueu a mão trêmula e cheia de medo. O rei olhou para ela e disse: "Fale, mulher! Talvez eu tenha misericórdia de ti."

"Meu senhor..." — disse a copeira com a voz trêmula. — "Eu ouvi falar de um homem muito velho que servia ao grande rei Menelaus, o seu falecido pai. Tenho certeza de que ele sabe algo sobre isso."

O rei respirou fundo, olhou para a corte encolhida e declarou: "Esta mulher acaba de salvar a vida de todos vocês, seus vermes inúteis! Agora tragam-me esse velho imediatamente!"

Momentos depois, um ancião de barba branca e olhos serenos entrou no salão apoiado em seu cajado. O rei o recebeu com respeito: "Aproxime-se, meu velho. Eu bem sei de ti e dos teus feitos servindo ao rei meu pai."

Laus contou detalhadamente o pesadelo da pedra. Ao ouvir a profecia, o velho estremeceu, quase caiu no chão e começou a chorar copiosamente: "Meu Deus... é o nosso fim! Estamos acabados, meu rei! Essa erudição já aconteceu no passado, e os seus ancestrais pagaram o preço. Tudo é engolido pelo grande Nabulom! A lenda conta que o mundo antigo foi destruído por ele!"

O velho caiu de joelhos sobre o mármore do salão, em prantos. O rei Laus entrou em pânico, andando de um lado para o outro e gritando: "Como ninguém nunca me falou sobre isso?! Agora verei o meu povo sumir?! O que vou fazer? Vocês são uns inúteis!"

Um dos sábios tentou se explicar: "Perdão, meu rei... nós somos da nova linhagem, não tínhamos conhecimento..."

"Não quero saber das suas desculpas, seus incompetentes! Ganham do bom e do melhor para nada?!" — interrompeu o monarca. — "Ajudem o velho! Dêem algo para ele beber e me deixem pensar em uma solução!"

O ancião se levantou devagar, caminhou até a janela do castelo, apontou o cajado para o horizonte e disse: "Meu rei... veja aquela montanha ao longe. Lá existe uma obra que todos os seus ancestrais construíram: uma grande e profunda caverna feita para abrigar o povo."

Antes mesmo que o velho terminasse de falar, o céu escureceu bruscamente. Figuras e criaturas estranhas surgiram entre as nuvens e uma voz ecoou do alto: "Fjam para as montanhas! Daqui a três dias e três horas chegará a grande tempestade Funam!"

Sem perder um segundo, o rei Laus reuniu todo o seu povo, revelou o perigo iminente e ordenou a evacuação geral. A multidão correu para as cavernas da montanha sagrada. De lá de dentro, através de uma abertura natural que parecida uma grande tela para o mundo exterior, o rei e seu povo assistiram em segurança à chegada da avassaladora tempestade Funam, que varreu o antigo reino de Mafimdik.

A verdadeira liderança não está em evitar as tempestades do destino, mas em ter a humildade de ouvir os avisos e a sabedoria para guiar o povo até um abrigo seguro.