O Fardo do Viajante (Parte 1)
Um homem viajante, de feições cansadas e passos pesados, passava por um pequeno vilarejo carregando um enorme saco nas costas. Parando diante de uma casa, bateu à porta e pediu humildemente:
— Senhora, me dá um pouco de comida? Eu venho de muito longe e estou com muita fome...
A mulher, compadecida, logo respondeu:
— Sim, meu senhor. Mas antes, tire esse fardo pesado das costas para descansar.
Ele abanou a cabeça e disse:
— Não posso, senhora. Estou condenado a carregar este fardo.
Surpresa, a mulher perguntou:
— Mas senhor, como assim? Pode me explicar o motivo?
— Não, senhora, é uma maldição. Se eu tirar este fardo e contar o que há nele, todo o seu povo estará condenado.
A mulher ficou extremamente curiosa, mas preferiu respeitar o segredo do homem. Serviu-lhe um prato de comida, e o viajante comeu e agradeceu do fundo do coração.
Porém, bem nesse momento, o marido da mulher estava chegando do campo. Ao ver o estranho, falou num tom firme:
— Vamos chegando, meu amigo!
O viajante aprontou-se para ir embora e disse:
— Já estou de saída, senhor. Muito obrigado pela acolhida.
O marido, homem arrogante e duro, ordenou imediatamente:
— Nada disso! Você vai tirar esse saco das costas agora mesmo e vai trabalhar na minha roça para pagar a comida que comeu. Aqui na minha casa ninguém come de graça!
O viajante entrou em pânico e implorou:
— Senhor, por favor, eu não posso tirar isso! Já venho andando há muito tempo, estou fraco, mas preciso chegar ao meu destino. Se eu não chegar, o mundo que conhecemos não existirá mais!
O marido retrucou com desdém:
— Eu não me importo com o mundo! Não tenho nada a ver com isso! Você vai trabalhar e vai pagar pela comida!
Desesperado, o viajante gritou com todas as suas forças:
— Não, por favor! Se o senhor fizer isso, trará a maldição para a sua própria casa! Por favor, não!
Ignorando todos os avisos, o fazendeiro cego pela ganância avançou sobre o viajante e arrancou aquele fardo à força.
No exato segundo em que o saco caiu no chão, o mundo ao redor ruiu. O ar ficou pesado, o céu escureceu e, uma a uma, as coisas ao redor começaram a desaparecer na escuridão. O viajante caiu de joelhos no chão, em desespero profundo, sabendo que tinha falhado em sua missão de salvar o mundo. E tudo por causa da arrogância de um homem que só enxergava o próprio umbigo.
Fim da Parte 1... O que tinha dentro do saco? O vilarejo será salvo? Acompanhe a Parte 2!