Em uma aldeia distante, vivia um lavrador chamado Saul. Ele passava os dias trabalhando duro no campo, mas a terra de sua propriedade era seca e infértil. Vendo os vizinhos prosperarem enquanto suas plantações morriam, o desgosto e a inveja tomaram conta de seu coração.
Certa noite de tempestade, exausto e desesperado, Saul caminhou até o centro da floresta fechada e gritou contra o vento: "Eu dou qualquer coisa para ter a terra mais fértil deste reino! Eu só quero ver a fartura no meu quintal!"
A terra sob seus pés estremeceu. Das sombras das árvores, emergiu uma criatura pavorosa e estranha: o corpo parecia feito de raízes secas, os olhos brilhavam como brasas e a voz soava como o ranger de madeira podre.
"Você pede por fartura, mortal?" — murmurou o ser terrível. — "Eu posso fazer brotar no seu quintal uma árvore mágica. Ela dará os frutos mais belos e doces que este mundo já viu. A riqueza baterá à sua porta."
"E o que você quer em troca, criatura?!" — perguntou Saul, trêmulo de pavor, mas cego pela ambição.
"Fazemos um pacto" — respondeu o ser de raízes. — "A árvore pertencerá a você e à sua família. Porém, haverá uma única regra: nunca colham nem comam o fruto do galho mais alto, pois ele pertence a mim. Se violarem essa regra, a seiva da árvore se tornará um veneno mortal que consumirá tudo o que você ama."
Saul, pensando no dinheiro e na inveja dos vizinhos, não hesitou: "Trato é trato! Eu aceito!"
No dia seguinte, exatamente no centro do quintal de Saul, brotou uma árvore majestosa. Em poucas semanas, ela cresceu e carregou-se de frutos dourados e reluzentes. A notícia se espalhou, e pessoas de todos os reinos vinham comprar os frutos de Saul. O lavrador enriqueceu rapidamente, comprou roupas finas e construiu uma mansão.
Porém, com o passar dos anos, a ganância de Saul só aumentava. Ele olhava diariamente para o topo da árvore, onde crescia um único fruto reluzente, três vezes maior e mais brilhante do que todos os outros.
"Aquele fruto no topo deve valer uma fortuna inteira!" — pensava Saul, esquecendo-se do aviso. — "Aquele ser estranho nem deve estar mais vigiando esta terra... por que deixar tanta riqueza parada?"
Em uma noite escura, cego pela soberba, Saul pegou uma escada, subiu até o ponto mais alto da árvore e arrancou o fruto proibido.
No exato segundo em que o fruto foi destacado do galho, a árvore soltou um estalo ensurdecedor. Das fendas do tronco, começou a escorrer uma seiva negra e viscosa com cheiro de enxofre. A seiva envenenada espalhou-se rapidamente pelas raízes debaixo da terra, secando os poços de água, matando as plantações ao redor e cobrindo toda a propriedade com uma névoa tóxica.
A criatura estranha surgiu do meio da escuridão, rindo com sua voz cavernosa: "Você teve a fartura e a riqueza, mas o seu orgulho e a sua ganância quebraram o selo! O pacto está desfeito e a maldição consumará sua casa!"
A seiva envenenada destruiu a mansão e corroeu toda a riqueza de Saul. Ele perdeu tudo o que havia conquistado e viu sua terra transformar-se em um pântano estéril e amaldiçoado, lembrando-o para sempre do preço trágico de quebrar uma promessa feita nas sombras.
A ganância insaciável faz o homem ignorar os limites do perigo, transformando a maior das bênçãos em um veneno que destrói sua própria vida.
Um jovem pobre que aprendeu o verdadeiro valor da bondade...
O príncipe que desafiou todas as leis por amor...