O Portal do Tempo

Por: Jota!

Havia uma jovem que, em uma tarde ensolarada, despediu-se de sua mãe e saiu de casa a caminho da escola. Ela nunca mais foi vista. A polícia, os vizinhos e os familiares fizeram de tudo para achá-la. As buscas duraram meses, depois anos, mas foram completamente em vão. Com o tempo, todos ao redor desistiram e a deram como morta. Mas Ivete, a mãe, nunca perdeu a esperança. Ela guardava no peito a certeza de que a filha ainda voltaria.

Trinta e cinco anos se passaram. Ivete já estava velha, com os cabelos brancos e o rosto marcado pela dor do tempo. De repente, em uma tarde qualquer, alguém bate à porta. Ao abrir, o coração de Ivete quase parou: era sua filha. Ela tinha exatamente a mesma idade de quando sumiu e vestia o mesmo uniforme da escola, sem um único arranhão ou sinal de desgaste.

As pessoas do vilarejo ficaram pasmas. O espanto coletivo não era apenas pelo retorno, mas porque o tempo parecia não ter tocado a jovem. Ela continuava uma adolescente, enquanto o resto do mundo havia envelhecido quase quatro décadas.

Assustada com os olhares e as lágrimas da mãe idosa, a jovem tentou explicar: ela disse que tinha ido à casa de um colega depois da escola e que estava voltando para casa a pé. Para ela, a caminhada havia durado apenas trinta e cinco minutos. Ela olhava para as mãos enrugadas da mãe, para as ruas modificadas e para os amigos de infância que agora eram adultos grisalhos, sem compreender absolutamente nada.

Sem que percebesse, ao cortar caminho por uma antiga trilha da região, a jovem havia entrado em um portal interdimensional. Onde para o mundo real se passaram trinta e cinco longos anos de sofrimento e espera, para ela, foram apenas trinta e cinco minutos caminhando em uma dobra do tempo.

Fim